Padre Lucas Altmayer, 29/08/2026 08:55
Caríssimos fiéis,
Quando a Igreja nos apresenta hoje Santa Rosa de Lima, nós estamos diante de uma mulher que, se julgada segundo os critérios do mundo, pareceria simplesmente uma louca.
Rosa nasceu em Lima, no Peru, no final do século XVI, e desde muito pequena manifestou uma vida de extraordinária piedade. Ainda criança, consagrou sua virgindade a Deus. Inspirada especialmente pela vida de Santa Catarina de Sena, entrou na Ordem Terceira de São Domingos e dividia seu tempo entre a oração e o trabalho, chegando a dedicar muitas horas do dia aos exercícios de piedade. Quando chegou à idade adulta, sendo uma jovem extraordinariamente bela, vários homens quiseram casar-se com ela, mas Rosa respondia que já tinha um esposo celestial. E, para que sua própria família não continuasse a insistir no casamento, cortou os cabelos como sinal exterior de sua consagração a Deus.
Mas é quando chegamos às suas penitências que começamos realmente a nos espantar. Desde pequena, Rosa se abstinha de frutas, embora fossem abundantes e deliciosas em sua terra. Aos seis anos, alimentava-se quase exclusivamente de água e pão. Aos quinze anos, fez voto de nunca comer carne, exceto quando fosse obrigada por obediência. Mesmo quando estava doente, não procurava alimentos melhores ou mais agradáveis. Houve ocasiões em que passou cinco ou até oito dias sem comer, sustentando-se apenas com a Eucaristia. Durante toda a Quaresma, segundo o relato de sua vida, alimentava-se apenas de cinco sementes de cidra por dia.
E não eram somente os alimentos que ela mortificava. Para dormir, não procurava uma cama confortável, mas uma tábua tosca ou alguns pedaços de madeira cheios de nós. Como travesseiro, usava um saco cheio de juncos ou de pedras. Todas as noites, açoitava o próprio corpo com duas pequenas correntes de ferro, em memória da flagelação de Nosso Senhor e oferecendo aquela dor pela conversão dos pecadores. Quando seu confessor proibiu essa prática, ela procurou outra forma de penitência: amarrou ao corpo uma corrente fina, três vezes ao redor, até que ela penetrasse profundamente na carne. Quando novamente foi descoberta e proibida de continuar, passou a usar um manto penitencial feito de crina de cavalo, que lhe causava grande sofrimento, e trazia sob o véu uma espécie de coroa com alfinetes voltados para dentro, em memória da coroa de espinhos de Nosso Senhor.
Ela também amava a solidão, não porque desprezasse as pessoas, mas porque queria estar mais livre para Deus. Pediu aos pais autorização para construir uma pequena cela num canto do jardim, uma cela minúscula, de aproximadamente cinco metros de comprimento por quatro de largura, onde pudesse entregar-se mais livremente à oração. Ali, segundo os relatos de sua vida, recebeu graças extraordinárias e experiências místicas.
E não pensemos que a penitência de Santa Rosa consistia apenas em sofrimentos que ela mesma escolhia. Deus permitiu que ela conhecesse também a penitência que não escolhemos, aquela que chega sem pedir licença. Durante quinze anos, foi atormentada diariamente por violentas provações interiores e tentações, a ponto de algumas vezes julgar estar no próprio inferno. Não encontrava consolo nem na oração nem na leitura espiritual. Além disso, padeceu de doenças dolorosas e, nos últimos três anos de sua vida, perdeu a mobilidade de quase todos os membros do corpo. E, ainda assim, não reclamava, permanecendo resignada à vontade de Deus e desejando sofrer ainda mais por amor de Cristo. Ao mesmo tempo, quando estava junto de outros doentes, servia-os com uma bondade extraordinária e procurava conduzi-los a Deus.
Então eu pergunto a vocês, caríssimos fiéis: isso não é loucura?
Nós estamos acostumados a ouvir que precisamos cuidar de nós mesmos, procurar conforto, evitar aquilo que dói, satisfazer nossas necessidades, respeitar nossos desejos, descansar, desfrutar a vida. E aparece diante de nós uma jovem que faz exatamente o contrário. Enquanto o mundo procura o prazer, ela procura a penitência. Enquanto o mundo procura uma cama confortável, ela procura uma tábua. Enquanto o mundo procura boa comida, ela jejua. Enquanto o mundo procura ser admirado, ela esconde sua beleza. Enquanto o mundo foge da dor, ela oferece a dor. Enquanto o mundo procura conservar a própria vida, ela parece disposta a perdê-la.
Isso é loucura? Ou talvez nós seja que tenhamos enlouquecido?
Porque é preciso fazer uma escolha. Não podemos simplesmente admirar Santa Rosa e continuar vivendo exatamente como se ela estivesse errada. Não podemos dizer que ela foi santa e, ao mesmo tempo, considerar que tudo aquilo que os santos fizeram é exagero, enquanto o nosso modo de viver, tão distante deles, seria perfeitamente normal. É preciso perguntar: quem compreendeu a realidade? Santa Rosa ou nós?
E aqui chegamos ao segundo ponto: olhemos para a maneira como vivem os mundanos.
O mundo nos ensina a buscar conforto. Ensina-nos que devemos evitar qualquer sofrimento que possa ser evitado, satisfazer nossos desejos, procurar entretenimento, cuidar do corpo, aproveitar todas as comodidades possíveis e fazer da felicidade nesta vida o grande objetivo de nossa existência. O mundo nos diz que precisamos experimentar tudo, aproveitar tudo, conhecer tudo, possuir tudo e que não devemos negar a nós mesmos quase coisa alguma.
E então olhamos para Santa Rosa. Ela passou a vida fazendo exatamente o contrário: ela jejuou, renunciou, mortificou-se, guardou a pureza, buscou a solidão, abraçou a dor, suportou doenças, aceitou provações interiores e ofereceu tudo a Deus.
E então surge a pergunta que eu gostaria que cada um levasse consigo para casa:
Na vida de quase todos os santos, constatamos que se abstiveram dos prazeres mundanos e realizaram penitências voluntárias. Porém, as pessoas da nossa época não querem saber dessas coisas, buscando viver apenas no conforto. E ainda assim acreditam que, evitando todas as mortificações da carne e desfrutando de todos os prazeres do mundo, irão para o mesmo paraíso em que os santos tentaram entrar com tantas austeridades voluntárias. Portanto, devo concluir que ou os santos agiram com muita insensatez ao serem tão severos consigo mesmos, ou que o mundo de hoje erra ao imaginar que encontrou um caminho mais fácil para a vida eterna.
O que acha disso? Quem você seguirá? O mundo ou os santos?
Caríssimos, eu não quero que passemos rapidamente por essa pergunta. Quem você seguirá? O mundo ou os santos?
Porque Nosso Senhor Jesus Cristo nunca prometeu que o caminho para o Céu seria confortável. Pelo contrário, Ele falou de uma porta estreita e de um caminho apertado. Disse que aquele que quiser segui-Lo deve negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz e segui-Lo. Disse que aquele que quiser salvar a sua vida deverá perdê-la por amor d'Ele. E Santa Rosa acreditou. Ela acreditou que Cristo falava sério. Ela acreditou que o Céu valia mais do que todos os prazeres da terra. Ela acreditou que o pecado era pior do que qualquer sofrimento. Ela acreditou que a alma valia mais do que o corpo. Ela acreditou que a eternidade valia mais do que esta vida. Nós acreditamos nisso?
Porque esta é a questão verdadeira. Não se trata simplesmente de perguntar se devemos imitar exteriormente cada uma das penitências de Santa Rosa. Não somos obrigados a reproduzir suas práticas extraordinárias, e a própria Igreja ensina que a penitência deve ser vivida segundo a prudência e a obediência. Santa Rosa fazia essas coisas dentro de uma vida profundamente ordenada pela oração, pela direção espiritual e pela obediência. O que precisamos imitar não é necessariamente a medida extraordinária de sua mortificação, mas a verdade que estava por trás dela: ela queria ser santa e estava disposta a pagar o preço da santidade.
E nós? Queremos ser santos, mas estamos dispostos a perder alguma coisa?
Porque ninguém chega ao Céu carregando consigo todos os seus apegos. Alguma coisa terá de ser perdida. Algum pecado terá de morrer. Algum hábito terá de ser abandonado. Alguma amizade talvez tenha de ser cortada. Alguma ocasião de pecado terá de ser evitada. Algum prazer legítimo terá de ser sacrificado por amor de Deus. Alguma comodidade terá de ser recusada. Alguma vontade nossa terá de ser contrariada.
Santa Rosa nos mostra uma coisa que o mundo não quer ouvir: a vida cristã é uma luta. Não podemos querer o Céu sem combater contra aquilo que nos impede de chegar ao Céu. Não podemos querer a pureza sem mortificar a carne. Não podemos querer a humildade sem aceitar humilhações. Não podemos querer a caridade sem renunciar ao egoísmo. Não podemos querer a oração sem sacrificar tempo. Não podemos querer a santidade sem abandonar o pecado.
E talvez seja por isso que a vida dos santos nos incomoda tanto. Não porque sejam exagerados, mas porque eles tornam visível aquilo que nós gostaríamos de deixar invisível: que é possível amar a Deus muito mais do que nós O amamos.
Santa Rosa não era uma mulher que simplesmente tinha menos desejos do que nós. Ela aprendeu a ordenar seus desejos a Deus. Não era alguém que não gostasse das coisas boas desta vida. Ela simplesmente descobriu uma coisa muito maior. Quando alguém encontra um tesouro infinitamente superior, começa a considerar pequenas as coisas que antes pareciam enormes.
E o tesouro de Santa Rosa era Cristo.
Por isso, no fim de sua vida, depois de receber os santos sacramentos, depois de pedir perdão aos presentes e exortá-los ao amor de Deus, ela se aproximou da morte com alegria. Pediu que lhe retirassem a almofada debaixo da cabeça para que pudesse morrer sobre as tábuas, como Nosso Senhor havia morrido na Cruz. E, quando chegou a hora, repetiu três vezes: “Jesus, Jesus, ficai comigo!” e entregou sua alma a Deus.
Vejam onde terminou aquela vida que o mundo teria chamado de louca. Terminou em Cristo. E agora voltemos à pergunta inicial. Quem está certo? Santa Rosa ou o mundo? Os santos ou os mundanos? Aqueles que passam a vida mortificando-se para ganhar a eternidade, ou aqueles que passam a vida procurando desfrutar de tudo aquilo que esta vida oferece?
Não precisamos responder com palavras. Nossa vida já está dando a resposta. O modo como usamos nosso tempo responde. O modo como tratamos nosso corpo responde. O modo como lidamos com o dinheiro responde. O modo como escolhemos nossas amizades responde. O modo como usamos a internet responde. O modo como nos divertimos responde. O modo como reagimos às contrariedades responde. O modo como tratamos a oração responde. O modo como tratamos o pecado responde.
Tudo isso responde à pergunta: quem estamos seguindo? O mundo ou os santos?
Caríssimos, Santa Rosa de Lima não está diante de nós para que simplesmente admiremos sua vida como quem contempla algo extraordinário e distante. Ela está diante de nós como uma testemunha. Ela nos diz que o Céu é real, que o pecado é terrível, que a graça é preciosa, que a penitência é necessária e que Cristo merece ser amado acima de todas as coisas.
E, se o mundo nos disser que isso é loucura, lembremo-nos de Santa Rosa.
Se o mundo nos disser que estamos exagerando porque queremos ser puros, lembremo-nos de Santa Rosa. Se o mundo nos disser que somos loucos porque queremos viver com mais penitência, lembremo-nos de Santa Rosa. Se o mundo nos disser que precisamos aproveitar mais a vida, lembremo-nos de Santa Rosa. Se o mundo nos disser que Deus não pode exigir tanto de nós, lembremo-nos de Santa Rosa.
E façamos novamente a pergunta: quem está certo?
Que Santa Rosa de Lima, que perdeu esta vida por amor de Cristo e encontrou a verdadeira Vida, nos alcance a graça de fazer a mesma escolha. Que ela nos obtenha a coragem de abandonar o pecado, de abraçar a penitência que Deus nos pedir, de suportar com paciência aquilo que não pudermos evitar e, sobretudo, de colocar diante de nós a única pergunta que realmente importa quando chegarmos ao fim desta vida: não quanto aproveitamos, não quanto possuímos, não quanto fomos admirados, mas se amamos a Deus o bastante para perder tudo por Ele.
E quando chegar também para nós a hora de deixar este mundo, que possamos morrer como Santa Rosa, com os olhos voltados para aquilo que nunca passa e com o coração inteiramente entregue a Cristo, repetindo com ela: “Jesus, Jesus, ficai comigo!”.