Perdoai como nós perdoamos: que tremendo critério!

Sermão

Padre Lucas Altmayer, 13/06/2026 17:55

O Evangelho de hoje é um dos mais belos de toda a Sagrada Escritura. Nosso Senhor responde aos fariseus que murmuravam contra Ele. E é importante notar que toda a cena começa precisamente por causa de uma murmuração.

Os fariseus não suportavam ver Cristo acolher os pecadores. Não suportavam vê-Lo comer com eles, não suportavam vê-Lo aproximar-Se deles. No fundo, acreditavam que certas pessoas já não mereciam a misericórdia de Deus.

E foi para responder a esse espírito que Nosso Senhor contou duas parábolas. A da ovelha perdida, e a da moeda perdida.

Em ambas acontece a mesma coisa: algo precioso desaparece, alguém o procura, alguém o encontra e alguém se alegra. O pastor procura a ovelha. A mulher procura a moeda. E quando encontram aquilo que estava perdido, não reagem com irritação.

Não reagem com indiferença. Não dizem: "Ela se perdeu porque quis." "Que aprenda a lição." "Que sofra as consequências." Pelo contrário: alegram-se, fazem festa e convidam os amigos. Porque aquilo que estava perdido foi encontrado. Aquilo que estava morto voltou à vida. Aquilo que estava longe regressou.

Ora, Nosso Senhor explica claramente o significado da parábola.

O pastor é Deus. A ovelha somos nós. A moeda somos nós. Os perdidos somos nós, todos nós. Porque não existe homem que não tenha sido procurado pela misericórdia divina. Talvez em épocas diferentes, talvez de maneiras diferentes mas todos nós já fomos aquela ovelha, todos nós já fomos aquela moeda, todos nós já estivemos longe de Deus, todos nós já necessitamos de perdão, todos nós já fomos objeto de uma paciência que não merecíamos.

E aqui chegamos à grande lição deste Evangelho: se Deus age assim conosco, quem somos nós para agir de modo diferente com os outros? Se Deus nos procura quando nos afastamos, quem somos nós para abandonar o próximo quando ele cai? Se Deus se alegra quando nos encontra, quem somos nós para entristecer-nos quando o próximo se converte?

Se Deus nos oferece perdão, quem somos nós para recusá-lo aos outros?

Caríssimos, existe uma estranha incoerência que aparece frequentemente na vida espiritual: queremos ser tratados por Deus segundo a misericórdia mas tratamos o próximo segundo a justiça mais rigorosa. Para nós pedimos compreensão, para os outros exigimos perfeição. Para nós pedimos paciência, para os outros exigimos reparação imediata.

Para nós pedimos novas oportunidades, para os outros pronunciamos sentenças definitivas.

Mas não foi assim que Deus agiu conosco.

E não é assim que Ele deseja que ajamos. É verdade que algumas pessoas nos feriram. É verdade que algumas pessoas erraram gravemente. É verdade que algumas pessoas nos decepcionaram. Mas também é verdade que nós ferimos. Também erramos. Também decepcionamos. Também necessitamos de misericórdia.

O cristão não perdoa porque o outro merece. Perdoa porque o outro necessita.

Exatamente como nós necessitamos.

O cristão não exerce caridade porque encontrou pessoas perfeitas, exerce caridade porque encontrou pessoas humanas. Pecadoras, frágeis, feridas. Assim como ele próprio.

Mas existe uma forma de falta de caridade que merece especial atenção.

Porque é extremamente difundida, e frequentemente considerada normal: a murmuração, a maledicência, a destruição da reputação alheia.

Foi justamente uma murmuração que provocou este Evangelho. Os fariseus murmuravam, falavam, comentavam, julgavam, condenavam. Talvez não com grandes discursos, apenas com observações, com insinuações, com comentários aparentemente inocentes. Mas a caridade morria em suas palavras.

E quantas vezes acontece o mesmo conosco: não roubamos, não matamos, não cometemos grandes escândalos. Mas destruímos reputações. Transmitimos comentários. Espalhamos suspeitas. Repetimos acusações. Aumentamos defeitos. Diminuímos qualidades. E chamamos tudo isso de conversa.

Ora, a reputação de uma pessoa é um dos bens mais preciosos que ela possui e muitos a ferem com uma facilidade impressionante. Há pessoas que jamais roubariam uma carteira mas roubam tranquilamente o bom nome do próximo. Há pessoas que jamais levantariam uma mão contra alguém mas utilizam a língua diariamente como uma arma.

A Escritura diz que a morte e a vida estão no poder da língua. E nós frequentemente esquecemos isso.

Caríssimos, não haverá santidade autêntica nos lábios que ainda murmuram, não haverá caridade sincera enquanto nossas conversas continuarem alimentando-se dos defeitos alheios, não haverá verdadeira vida espiritual enquanto encontrarmos prazer em comentar as faltas do próximo.

Porque a língua que recebe Nosso Senhor na Sagrada Comunhão não foi feita para destruir a reputação daqueles por quem Ele derramou Seu Sangue.

E existe algo ainda mais grave.

A murmuração revela frequentemente um coração que não compreendeu a própria condição diante de Deus. Quem se lembra dos próprios pecados torna-se mais misericordioso, quem contempla frequentemente a própria miséria torna-se menos severo, quem se recorda do perdão recebido aprende mais facilmente a perdoar.

Por isso os santos eram tão caridosos. Não porque ignorassem o mal, mas porque conheciam profundamente a própria necessidade de misericórdia.

Caríssimos, proponho hoje uma resolução muito concreta.

Durante esta semana, vigiai a língua, vigiai as conversas, vigiai os comentários. Quando surgir a tentação de falar mal de alguém, fazei silêncio. Quando surgir a tentação de repetir um defeito alheio, mudai de assunto. Quando surgir a tentação de alimentar uma crítica desnecessária, rezai por aquela pessoa.

E se existe alguém a quem ainda não perdoastes, começai hoje. Talvez não consigais apagar imediatamente a dor. Talvez a ferida ainda permaneça. Mas podeis tomar a decisão de não conservar o ressentimento. Porque o perdão cristão não nasce da emoção, nasce da vontade iluminada pela graça.

Afinal, um dia cada um de nós comparecerá diante de Deus. E naquele dia não desejaremos encontrar um juiz semelhante aos fariseus, desejaremos encontrar o Pastor que procura a ovelha, desejaremos encontrar a Mulher que procura a moeda, desejaremos encontrar o Coração misericordioso de Cristo.

Aprendamos, então, a tratar os outros da maneira como esperamos ser tratados por Deus. Porque haverá mais alegria no Céu por um pecador que faz penitência. E deveria haver também mais alegria em nossos corações quando a misericórdia triunfa.