Padre Lucas Altmayer, 15/08/2026 10:44
Se eu perguntasse hoje a uma criança: "Onde está Nossa Senhora agora?", certamente ela responderia sem dificuldade: "No Céu." E responderia corretamente.
É justamente isso que a Igreja celebra nesta solenidade da Assunção. Terminados os dias de sua vida terrena, a Santíssima Virgem foi elevada em corpo e alma à glória celeste. Enquanto todos nós ainda esperamos a ressurreição dos corpos no último dia, Maria já possui aquilo que um dia esperamos receber. Aquela que trouxe em seu ventre puríssimo o Filho de Deus já contempla, também com seu corpo glorificado, a Face daquele que gerou segundo a carne.
Esta é uma verdade belíssima da nossa fé. Mas talvez exista uma pergunta ainda mais importante do que a primeira. Sabemos onde está Nossa Senhora, e a grande questão é: onde está Nossa Senhora na minha vida?
Porque é possível professar corretamente o dogma da Assunção e, ao mesmo tempo, viver como se Maria não existisse. É possível celebrar esta festa todos os anos e jamais recorrer verdadeiramente àquela que Deus nos deu por Mãe. Sabemos que Ela está no Céu, mas está também em nossa casa? Está em nossas orações? Está em nossas decisões? Está em nossa luta contra o pecado? Está presente na educação de nossos filhos, nas dificuldades do matrimônio, nas angústias do trabalho, nas tentações de cada dia? Ou permanece apenas numa imagem sobre um móvel, numa lembrança distante, numa devoção reservada para o mês de maio?
Caríssimos, eis um dos dramas da vida espiritual: muitos católicos não rejeitam Nossa Senhora; simplesmente aprenderam a viver sem Ela. E isso é uma enorme pobreza espiritual.
Porque Deus quis colocar Maria num lugar absolutamente singular na história da nossa salvação. Foi por Ela que o Verbo Se fez carne. Foi em seu ventre que Deus tomou um corpo semelhante ao nosso. Foi em seus braços que Cristo quis crescer. Durante trinta anos, Nosso Senhor viveu sob sua autoridade materna. E quando chegou a hora suprema da Redenção, aos pés da Cruz, antes de entregar o espírito ao Pai, Jesus entregou Sua Mãe ao discípulo amado.
Não foi um detalhe da Paixão, foi um testamento. Nosso Senhor poderia ter pronunciado muitas outras palavras antes de morrer. Mas quis deixar-nos Sua própria Mãe. Como quem dissesse: "Assim como vim ao mundo por Maria, quero também chegar às almas por Maria."
É por isso que, ao longo de toda a história da Igreja, os maiores santos foram também os maiores devotos da Santíssima Virgem. São Bernardo chamava-A de aqueduto das graças. São Luís Maria Grignion de Montfort ensinava que jamais encontraremos perfeitamente Jesus sem passar por Maria. Santo Afonso Maria de Ligório afirmava que a verdadeira devoção à Santíssima Virgem é um dos maiores sinais de predestinação.
Não porque Maria substitua Cristo, ela jamais ocupa o lugar de Seu Filho, mas porque foi o próprio Cristo quem quis associá-La intimamente à obra da salvação. Deus poderia ter escolhido outro modo, mas quis agir assim. E quem somos nós para desprezar o caminho que Deus escolheu?
Há quem diga: "Eu amo Jesus, mas não tenho muita devoção a Nossa Senhora." Esta frase parece piedosa, mas revela um profundo desconhecimento da obra de Deus. Seria como alguém dizer: "Quero o fruto, mas não preciso da árvore”, ou: "Quero chegar ao Filho, mas não preciso da Mãe." Nosso Senhor nunca separou aquilo que Ele mesmo uniu. Quem ama verdadeiramente Jesus aprende inevitavelmente a amar Maria. Não porque Ela necessite da nossa devoção, mas somos nós que precisamos dela.
Uma mãe nunca é necessária porque o filho lhe faz um favor. Ela é necessária porque sem ela o filho cresce mais pobre, mais frágil, mais inseguro. Assim acontece também na vida espiritual. Quem despreza voluntariamente Nossa Senhora não diminui Maria, diminui a si mesmo, enfraquece sua própria alma. Priva-se de um auxílio que Deus, em Sua Providência, quis conceder aos Seus filhos.
E por isso devemos dizer com toda clareza: desprezar voluntariamente Nossa Senhora é desprezar um dos maiores auxílios que Deus preparou para a nossa salvação.
Talvez seja justamente por isso que o demônio trabalhe tanto para diminuir a devoção mariana. Ele sabe que uma alma verdadeiramente devota da Virgem dificilmente permanecerá muito tempo no pecado. Porque Maria nunca conduz alguém para Si mesma. Toda a sua missão consiste em repetir aquelas palavras pronunciadas nas bodas de Caná: "Fazei tudo o que Ele vos disser."
Ela nunca nos prende a Si, sempre nos leva a Cristo, sempre. E se hoje contemplamos Nossa Senhora elevada à glória do Céu, contemplamos também aquilo que uma mãe faz. Ela não sobe para abandonar os filhos, sobe para cuidar deles de um lugar ainda mais alto.
Nossa Mãe está viva, nossa Mãe reina, nossa Mãe intercede. Conhece nossas lágrimas, nossas quedas, nossos combates, nossas tentações e nossas fraquezas. Continua exercendo, no Céu, a maternidade que recebeu aos pés da Cruz.
Talvez alguns de nós já tenham perdido a mãe nesta terra, mas nenhum cristão pode dizer que é órfão. Nossa Mãe vive, e vive no Céu.
A verdadeira pergunta, então, já não é onde Ela está. A pergunta é se nós vivemos como filhos. Porque filho conversa com a mãe, filho procura a mãe, filho pede ajuda à mãe, filho confia na mãe, filho gosta de permanecer perto da mãe. Será que fazemos isso?
Há quanto tempo não rezamos o Santo Terço com verdadeira devoção? Há quanto tempo não recorremos a Nossa Senhora antes de uma tentação? Há quanto tempo não consagramos nosso dia à sua proteção? Há quanto tempo Ela deixou de ocupar o lugar que Deus mesmo Lhe deu em nossa vida?
Talvez tenhamos procurado solução para muitos problemas, mas nos esquecemos de pedir auxílio àquela que Deus constituiu nossa Mãe.
Caríssimos, a resolução que esta festa nos propõe é muito simples e muito concreta.
Se ainda não rezamos diariamente o Santo Terço, comecemos hoje. Ainda que custe. Ainda que seja necessário reorganizar o nosso dia. Ainda que precisemos renunciar a alguns minutos diante da televisão ou do telefone celular. O Terço nunca foi uma oração para pessoas desocupadas. Foi a oração dos santos, dos pais e mães de família, dos trabalhadores, dos enfermos, dos jovens e dos idosos. Quem persevera no Rosário aprende pouco a pouco a olhar para Cristo com os olhos de Sua Mãe. E se já possuímos esta devoção, renovemo-la com mais amor e mais fidelidade. Não rezemos o Terço apenas com os lábios, mas com o coração. Meditemos os mistérios da vida de Cristo acompanhados pela Virgem Santíssima. Façamos de Nossa Senhora uma presença cotidiana em nossa casa e em nossa alma.
Caríssimos, hoje sabemos onde está Nossa Senhora: Ela está no Céu. Mas quando esta Santa Missa terminar, a pergunta que deve permanecer conosco será outra: onde está Nossa Senhora na minha vida?
Porque ninguém jamais perdeu Jesus por amar demasiadamente Sua Mãe. Mas muitos perderam o caminho porque imaginaram que podiam chegar ao Filho desprezando aquela que Ele mesmo escolheu para ser nossa Mãe.
Peçamos hoje à Virgem Assunta a graça de uma verdadeira devoção filial. Que Ela nos ensine a recorrer a Ela em todas as necessidades, a confiar em sua poderosa intercessão e a caminhar sempre de mãos dadas com aquela que jamais abandona os seus filhos. E que, conduzidos por sua mão materna durante esta vida, possamos um dia encontrá-La na glória do Céu, para contemplar eternamente, junto dela, a Face de Nosso Senhor Jesus Cristo.