E quando Deus parecer não cumprir suas promessas?

Sermão

Padre Lucas Altmayer, 12/06/2026 13:04

Existem muitas devoções na Igreja, e existem muitas imagens que a piedade cristã aprendeu a amar ao longo dos séculos. Nossa Senhora, por exemplo, é a Rosa de ouro, a Casa de marfim, a Arca da Aliança, a Estrela da manhã. Mas tudo de maneira segundo a imagem e a analogia.

Poucas possuem uma força tão extraordinária quanto a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Porque nela não contemplamos apenas um atributo divino, não contemplamos apenas uma virtude. Não contemplamos apenas uma verdade teológica, mas contemplamos o próprio amor de Cristo.

Um amor que se tornou visível, que assumiu um coração humano.

Um amor que chorou, um amor que sofreu, um amor que foi trespassado pela lança. Um amor que continua ardendo pelos homens.

Por isso Nosso Senhor mostrou Seu Coração a Santa Margarida Maria e fez promessas. Promessas extraordinárias, promessas que atravessaram os séculos: promessa de paz nos lares, de alcançar todas as graças, da certeza dos sacramentos na hora da morte, do sucesso nas questões financeiras e espirituais.

E talvez seja precisamente aqui que começa a dificuldade de muitos católicos. Porque eles olham para a própria vida e dizem: "Mas onde estão essas promessas?" "Eu rezei e continuo sofrendo." "Eu confiei e continuo lutando." "Eu me consagrei e continuo carregando cruzes." "Eu recorri ao Sagrado Coração e os problemas não desapareceram." Em outras palavras, muitos cristãos chegam a uma conclusão perigosa. Talvez não a formulem explicitamente, mas a pensam no silêncio do coração.

A conclusão é esta: "Talvez Deus não tenha cumprido aquilo que prometeu."

Ora, caríssimos, a festa de hoje existe para nos recordar uma verdade fundamental. Deus jamais deixa de cumprir uma promessa. Jamais.

Pode parecer que demora, que esqueceu, que Ele permanece em silêncio. Mas jamais deixa de cumprir.

A Sagrada Escritura inteira é uma demonstração dessa verdade. Deus prometeu um filho a Abraão. E os anos passaram, os cabelos embranqueceram, a velhice chegou. E nada acontecia. Mas a promessa cumpriu-se.

Deus prometeu libertar Israel. E o povo passou séculos na servidão: séculos. Mas a promessa cumpriu-se.

Deus prometeu o Messias. E as gerações nasceram e morreram, os impérios surgiram e desapareceram, os profetas foram sepultados. E parecia que nada acontecia. Mas a promessa cumpriu-se.

Sempre a mesma história: os homens contam os dias, mas Deus governa os séculos. Os homens enxergam o instante, mas Deus contempla a eternidade.

Os homens querem resultados imediatos, Deus prepara frutos duradouros.

Por isso existe uma diferença enorme entre a nossa lógica e a lógica divina. Nós frequentemente imaginamos que a promessa significa ausência de sofrimento. Deus frequentemente entende a promessa como auxílio no sofrimento.

Quantas vezes nos aproximamos do Sagrado Coração levando nossos projetos, nossos planos, nossos desejos e nossas expectativas. E quando não recebemos exatamente aquilo que pedimos, imaginamos que a promessa falhou. Mas não foi a promessa que falhou. Foi a nossa compreensão dela. Porque Deus sempre dá. Mas nem sempre dá aquilo que imaginávamos, nem sempre responde da maneira que esperávamos. Sempre cumpre, mas frequentemente cumpre de forma muito mais sábia do que desejaríamos.

Por isso o cristão não mede a fidelidade de Deus pelos acontecimentos de uma semana. Nem pelos resultados de um mês, nem sequer pelas provações de alguns anos. O cristão mede a fidelidade de Deus pela Cruz E pela eternidade.

Porque quem contempla a Cruz compreende que Deus pode parecer derrotado e estar vencendo, pode parecer ausente e estar agindo, parecer silencioso e estar salvando. Pode parecer tardio e estar chegando exatamente na hora certa.

Caríssimos, a devoção ao Sagrado Coração é, acima de tudo, uma escola de confiança.

Vivemos numa época marcada pela ansiedade. As pessoas querem controlar tudo, prever tudo e garantir tudo.

Mas a vida cristã não é controle: é confiança, abandono. Não é segurança humana. É fé.

Por isso proponho hoje uma resolução muito concreta. Quando surgirem as preocupações desta semana, quando surgirem as dificuldades da família, do trabalho, da saúde ou da vida espiritual, fazei um pequeno ato de confiança. Olhai para a imagem do Sagrado Coração. Ou simplesmente elevai o pensamento a Cristo. E repeti devagar: "Sagrado Coração de Jesus, nós temos confiança em Vós."

Não porque compreendeis tudo, não porque enxergais tudo, mas porque Ele vê aquilo que vós não vedes. Porque Ele sabe aquilo que vós não sabeis. Porque Ele ama mais do que podeis imaginar. E porque Seu Coração jamais faltou a uma promessa. Jamais.

Os homens falham, os amigos falham, as forças humanas falham. Mas o Coração de Cristo permanece fiel.

Que aprendamos, portanto, na escola do Sagrado Coração, a difícil arte da confiança. Porque quem confia verdadeiramente em Cristo pode atravessar as tempestades sem perder a paz.

Sabendo que, ainda quando não compreende os caminhos de Deus, está seguro nas mãos d'Aquele que tudo governa com sabedoria e amor.

Eis o Coração que tanto amou os homens, que não seja amado em vão, que confiemos no Seu amor! O Coração que tanto amou os homens nunca faltou, não falta, e nem faltará a uma promessa feita.