Padre Lucas Altmayer, 10/07/2026 07:53
O Evangelho deste domingo costuma chamar a nossa atenção para os falsos profetas. E com razão. Nosso Senhor adverte os discípulos para que tenham cuidado com aqueles que se apresentam revestidos de piedade, de boas intenções e de palavras agradáveis, mas cujo coração está distante de Deus. O lobo, diz Jesus, raramente se apresenta como lobo. Reveste-se de pele de ovelha. O erro dificilmente aparece dizendo seu verdadeiro nome. Ele se disfarça de liberdade, de progresso, de amor, de tolerância, de felicidade. Assim agiu a serpente no Paraíso e assim continua agindo até hoje.
Entretanto, se observarmos atentamente o Evangelho, perceberemos que Nosso Senhor não termina falando dos lobos. Termina falando das árvores.
É como se dissesse que, embora seja necessário reconhecer as árvores más, o importante é tornar-se uma árvore boa. Porque, no fim das contas, o que permanecerá diante de Deus não será a lembrança dos falsos profetas, mas os frutos que cada um de nós produziu durante a vida.
"Toda árvore boa produz bons frutos." Que imagem simples e, ao mesmo tempo, tão profunda.
Uma árvore não existe para si mesma. Ela não come os próprios frutos. Ela não vive preocupada em ser admirada. Ela não mede seu valor pela quantidade de elogios que recebe. Ela simplesmente permanece onde foi plantada, cria raízes profundas, suporta o calor do verão, o frio do inverno, as tempestades e as secas. E, silenciosamente, continua produzindo frutos. Assim é a vida cristã.
Vivemos num tempo em que tudo precisa ser visto, comentado, compartilhado e aprovado. Parece que as boas obras só existem quando alguém as fotografa, quando recebem aplausos ou quando são reconhecidas pelos homens. Nosso Senhor, porém, fala de árvores, e as árvores fazem justamente o contrário. Elas crescem em silêncio. Florescem em silêncio. Frutificam em silêncio. E é precisamente nesse silêncio que realizam toda a sua missão.
Penso, caríssimos, que muitos dos que estão hoje nesta igreja são essas árvores das quais fala o Evangelho.
São pais de família que trabalham de manhã até a noite para sustentar honestamente a casa, levando sobre os ombros preocupações que ninguém conhece. São mães que gastam a vida educando os filhos na fé, ensinando-lhes a rezar, corrigindo-os com paciência, oferecendo pequenos sacrifícios que talvez jamais sejam reconhecidos nesta terra. São esposos que permanecem fiéis um ao outro quando o mundo inteiro ridiculariza a fidelidade. São jovens que decidiram abandonar amizades que os afastavam de Deus, que deixaram ambientes perigosos, que renunciaram a divertimentos nos quais sabiam que perderiam a pureza da alma. São moças que escolheram a modéstia não apenas quando entram na igreja, mas também em casa, no trabalho e em todos os lugares, porque compreenderam que a virtude não muda conforme o ambiente.
São aqueles que deixaram de frequentar praias superlotadas, piscinas públicas ou lugares onde sabiam que sua alma seria colocada em perigo. São aqueles que desligaram músicas que ofendem a Deus, mesmo quando todos à sua volta diziam que não havia mal algum nisso. São aqueles que decidiram gastar menos tempo diante das telas e mais tempo diante do sacrário. São aqueles que defendem publicamente a doutrina católica, ainda que isso lhes custe incompreensões. São aqueles que trabalham, rezam e fazem sacrifícios pela conservação da Santa Missa Tradicional, que recebem Nosso Senhor com a reverência devida, que se ajoelham diante d'Ele, que não se envergonham da fé católica diante dos homens, lembrando-se da promessa do próprio Cristo de que também Ele não Se envergonhará diante do Pai daqueles que O confessarem neste mundo.
Essas pessoas raramente aparecem, ninguém escreve suas histórias, ninguém lhes entrega medalhas, ninguém lhes dedica manchetes. Ao contrário. Muitas vezes são chamadas de exageradas, antiquadas, fanáticas ou radicais. Enquanto isso, aqueles que vivem segundo o espírito do mundo costumam receber aplausos, elogios e reconhecimento. A moral relaxada parece mais simpática. A fé superficial parece mais agradável. A tibieza parece mais equilibrada.
Mas Nosso Senhor não disse que conheceríamos as árvores pelos aplausos. Disse que as conheceríamos pelos frutos. E os frutos, quase sempre, amadurecem longe dos olhos do mundo.
Uma família numerosa e unida é um fruto, um casamento que atravessa décadas permanecendo fiel é um fruto, um sacerdote que permanece firme na verdade é um fruto, um jovem que conserva a pureza é um fruto, uma criança educada na fé é um fruto, uma alma que aprende a rezar é um fruto, uma confissão sincera é um fruto, uma vocação religiosa é um fruto, uma morte santa é um fruto.
Talvez ninguém veja esses frutos hoje. Talvez muitos até zombem deles. Mas Deus os vê um por um. E isso basta.
Há outra imagem muito bela escondida neste Evangelho. Uma árvore boa não deixa de produzir frutos porque está cercada de árvores estéreis. Ela não diz: "Já que todas secaram, também secarei." Não diz: "Já que ninguém mais dá frutos, também não darei." Ela continua sendo aquilo para o qual foi criada.
Assim também deve ser o cristão. Não deixemos de viver a castidade porque o mundo perdeu a pureza. Não deixemos de viver a modéstia porque a imodéstia se tornou comum. Não deixemos de rezar porque quase ninguém reza. Não deixemos de defender a verdade porque a mentira se tornou popular. Não deixemos de amar a Santa Missa porque muitos já perderam o sentido do sagrado. Não deixemos de confessar a fé porque tantos preferem o silêncio.
A esterilidade do pomar nunca pode servir de desculpa para uma árvore boa deixar de produzir frutos.
Caríssimos, talvez o demônio procure justamente isso: convencer as boas árvores de que já não vale a pena frutificar. Faz-nos pensar que somos poucos, que não fazemos diferença, que nossos esforços são inúteis, que nossa fidelidade não muda o mundo.
Mas Deus jamais mediu a força da Igreja pelo número de seus membros. Sempre a mediu pela santidade dos seus filhos.
Bastaram doze Apóstolos para evangelizar o mundo, bastaram alguns mártires para converter impérios, bastaram poucos santos para reacender a fé em épocas de decadência.
Porque Deus nunca precisou de multidões para produzir frutos abundantes. Precisou apenas de árvores boas.
Façamos, portanto, uma resolução muito simples neste domingo. Não nos comparemos com as árvores estéreis. Não procuremos os aplausos daqueles que já perderam o gosto pelos frutos de Deus. Continuemos produzindo, silenciosamente, aquilo que o Senhor espera de nós. Continuemos rezando quando ninguém reza. Continuemos educando nossos filhos na fé quando tantos desistiram. Continuemos defendendo a verdade quando ela parecer impopular. Continuemos vivendo a pureza, a modéstia, a fidelidade, a caridade e a reverência para com Deus, ainda que o mundo inteiro caminhe na direção contrária.
Porque uma árvore nunca produz frutos para receber elogios. Produz frutos porque esta é a sua natureza. E a natureza do cristão é dar frutos para Deus.
Não desistam, portanto, de serem uma árvore boa só porque o pomar parece cheio de árvores estéreis. Talvez poucos vejam os teus frutos. Talvez ninguém os elogie. Talvez até os desprezem. Mas o Senhor do pomar passa todos os dias. E é para Ele, somente para Ele, que a tua árvore floresce e produz frutos.