Padre Lucas Altmayer, 08/06/2026 15:55
Caríssimos fiéis,
O Evangelho de hoje começa com uma frase simples, mas extraordinária. Nosso Senhor diz: "Um homem fez uma grande ceia." Não uma ceia qualquer, não uma refeição ordinária, não um pequeno banquete, mas uma grande ceia. Uma cena magna.
E talvez devamos começar perguntando justamente isto: por que ela é grande? O que torna uma festa verdadeiramente grande?
Quando regressamos de uma celebração, de um casamento ou de uma solenidade, frequentemente dizemos: "Foi uma grande festa." Mas o que queremos dizer com isso? Penso que existem três razões pelas quais chamamos uma festa de grande.
Primeiro, pelo motivo da festa. Segundo, pela abundância da festa. Terceiro, pela solenidade da festa. Nós veremos que, sob esses três aspectos, a Santa Missa é verdadeiramente a maior de todas as festas.
Em primeiro lugar, uma festa é grande quando é grande aquilo que ela celebra.
Ninguém diria que o Natal é uma grande festa por causa do mês de dezembro. É uma grande festa porque grande é o acontecimento celebrado: o Verbo se fez carne, Deus visitou o seu povo. O mesmo acontece com a Páscoa : não é grande por causa dos cânticos. É grande porque Cristo venceu a morte. A causa da festa é aquilo que determina sua grandeza.
Ora, qual é o motivo da Santa Missa? Qual é o acontecimento tornado presente sobre este altar? Não é apenas uma lembrança, não é apenas uma recordação piedosa. Não é apenas uma reunião religiosa. É o Sacrifício do Calvário tornado presente sacramentalmente. É a oblação de Cristo renovada de modo incruento. É o próprio Filho de Deus oferecendo-Se ao Pai pela salvação do mundo. Não existe acontecimento maior. Não existe realidade mais sublime. Não existe obra mais grandiosa.
Quando os homens querem visitar lugares importantes, viajam milhares de quilômetros. Visitam palácio, visitam monumentos, visitam museus. Mas o acontecimento mais importante da história humana realiza-se todos os dias sobre os altares católicos: a redenção do mundo, a oferta do Cordeiro Imaculado, a adoração perfeita prestada pelo Filho eterno ao Pai eterno.
Por isso a Missa é uma grande festa, porque grande é aquilo que nela se realiza.
Mas existe uma segunda razão: uma festa é grande quando é abundante, quando há fartura, quando a mesa transborda, quando nada falta aos convidados.
É comum ouvir alguém dizer: "Foi uma grande festa. Havia comida em abundância. Havia bebida em abundância."
Ora, também aqui a Missa ultrapassa todas as festas da terra. Porque qual é a comida oferecida neste banquete? O próprio Deus. Qual é a bebida oferecida neste banquete? O próprio Sangue de Cristo.
Todos os banquetes humanos possuem um limite, mesmo os mais luxuosos, mesmo os mais refinados. Mas aqui recebemos um alimento infinito. Aqui recebemos o Pão descido do Céu. Aqui recebemos o Pão dos Anjos. Aqui recebemos Aquele de quem todos os outros alimentos recebem o seu ser.
O salmista cantava: "Preparastes diante de mim uma mesa." E também: "Meu cálice transborda." E ainda: "O vinho alegra o coração do homem." Tudo isso encontra sua plenitude na Eucaristia.
Porque existe uma alegria que vem do vinho, mas existe uma alegria infinitamente maior que vem da graça. Existe uma embriaguez do mundo, mas existe também aquilo que os santos chamavam de embriaguez divina. A alma tão preenchida por Deus que todas as alegrias terrenas parecem pequenas diante dela.
E aqui devemos reconhecer uma grande miséria dos homens.
Os israelitas libertados do Egito choravam as cebolas que haviam deixado para trás. Tinham sido libertados da escravidão , tinham atravessado o Mar Vermelho. Recebiam o maná descido do céu, e, ainda assim, suspiravam pelas cebolas do Egito. Como é fácil rir deles. E como é difícil perceber que muitas vezes fazemos a mesma coisa.
Quantos cristãos olham para trás e imaginam que eram mais felizes quando viviam longe de Deus, mais felizes quando não rezavam, mais felizes quando pecavam, mais felizes quando pertenciam ao mundo.
É a nostalgia das cebolas do Egito. Esquecem-se dos grilhões, esquecem-se da escravidão, esquecem-se da miséria espiritual. E sonham com um passado que nunca foi tão feliz quanto imaginam.
Ora, quem recebeu o Pão dos Anjos não deveria lamentar ter perdido as cebolas do Egito. Quem encontrou Cristo não deveria lamentar ter perdido o mundo. Quem encontrou o altar não deveria invejar os banquetes passageiros da terra.
Mas existe ainda uma terceira razão pela qual uma festa é grande: a solenidade, a pompa, a majestade. Quando alguém descreve uma grande celebração, frequentemente diz: "Havia grande beleza, havia grande esplendor, "Havia grande solenidade."
É verdade que os homens do mundo muitas vezes exageram nisso. Gastam fortunas em festas que duram poucas horas, desperdiçam recursos em luxos passageiros. Buscam impressionar os convidados, buscam exibir riqueza, buscam alimentar a vaidade.
Tudo isso passa. Tudo isso termina, mas existe uma festa que merece toda a solenidade possível.
A Missa. Porque a Missa não é a festa de um homem. É a festa de Deus. É a antecipação das núpcias eternas do Cordeiro. É o ponto de encontro entre o Céu e a terra.
Por isso tudo nela deve manifestar reverência, tudo nela deve conduzir à adoração: os gestos, as palavras, os silêncios, os paramentos, os vasos sagrados, os cantos, as cerimônias.
Não porque Deus necessite disso, mas porque nós necessitamos. O homem exprime exteriormente aquilo que reconhece interiormente. Quem entra diante de um rei age de modo diferente. Quem entra diante de Deus deveria agir de modo ainda mais diferente.
E aqui compreendemos uma das grandes belezas do rito tradicional da Missa: sua solene sobriedade. Nada é apressado, nada é banal, nada procura entreter, nada procura chamar atenção para o celebrante, tudo converge para o altar, tudo converge para o sacrifício, tudo converge para Deus.
O rito parece dizer continuamente: "Algo infinitamente importante está acontecendo aqui." E é verdade. Porque o Céu toca a terra, porque a eternidade entra no tempo. Porque Cristo oferece-Se ao Pai.
Caríssimos, o Evangelho termina com uma advertência. Os convidados recusam-se a vir. Um prefere suas terras, outro seus negócios, outro seus interesses. Todos têm algo que consideram mais importante do que a grande ceia.
E não é essa a grande tragédia de todas as épocas? Não é que os homens odeiem Deus. É que estão ocupados demais para Ele. Não é que rejeitem explicitamente o banquete. É que preferem outras mesas, outros alimentos, outras alegrias, outras preocupações.
Por isso proponho hoje uma resolução simples: quando vierdes à Missa, lembrai-vos de onde estais, não estais assistindo a uma cerimônia, não estais cumprindo uma obrigação. Não estais participando de uma reunião. Estais entrando na maior festa da terra: a grande ceia. A cena magna.
Preparai-vos melhor, chegai com antecedência. Rezai antes da Missa. Acompanhai as cerimônias com atenção. Fazei uma ação de graças depois da Comunhão. E sobretudo não troqueis jamais este banquete pelos alimentos passageiros do mundo. Porque todas as mesas da terra serão desmontadas, todos os banquetes humanos terão fim, mas aquele que se alimenta de Cristo possui já nesta vida o penhor da eternidade.
E um dia participará da festa que não terá ocaso, das núpcias eternas do Cordeiro. Amém.