Padre Lucas Altmayer, 31/05/2026 14:57
Ó profundidade das riquezas da sabedoria e da ciência de Deus! Quão incompreensíveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos!" (Rm 11, 33)
Caríssimos fiéis,
A festa da Santíssima Trindade parece, à primeira vista, uma das mais difíceis do ano litúrgico. No Natal contemplamos um Menino. Na Sexta-Feira Santa contemplamos um Crucificado. Na Páscoa contemplamos um Sepulcro vazio. Mas hoje contemplamos um mistério. Não um acontecimento. Não uma imagem. Não uma cena. Um mistério.
E justamente por isso esta festa tem algo de extremamente atual. Porque o homem moderno perdeu a capacidade de lidar com o mistério. Ele quer compreender tudo. Explicar tudo. Controlar tudo.
Acredita que só merece assentimento aquilo que pode ser reduzido a fórmulas, cálculos, estatísticas ou experiências de laboratório. Mas a própria festa de hoje se ergue diante desse orgulho intelectual e diz: existe uma verdade que ultrapassa a inteligência humana.
Não porque seja irracional. Mas porque é infinita. Nós conhecemos a Santíssima Trindade. Mas não a compreendemos exaustivamente. Sabemos que há um só Deus em três Pessoas. Sabemos que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. Sabemos que não são três deuses, mas um só Deus. Sabemos porque Deus revelou.
Mas entre conhecer e esgotar existe uma diferença imensa. Uma criança conhece o mar. Mas não conhece toda a profundidade do oceano. Um homem conhece o céu. Mas não mede toda a extensão do universo. Assim também nós conhecemos verdadeiramente a Trindade, mas não podemos abarcar sua infinita realidade.
E isso não é uma derrota da inteligência. É sua coroação. Porque a inteligência humana não foi feita para encerrar Deus dentro de si. Foi feita para elevar-se até Ele. O cientificismo moderno, porém, ensina o contrário. Não a verdadeira ciência, que é uma coisa nobilíssima. Mas o cientificismo.
A falsa crença segundo a qual só é verdadeiro aquilo que pode ser completamente explicado pelos métodos das ciências naturais. Ora, essa posição se destrói a si mesma. Porque ela própria não pode ser provada por nenhum experimento. Nenhum microscópio demonstra que apenas a ciência experimental produz conhecimento. Nenhum telescópio observa essa afirmação. Nenhuma equação a demonstra.
É uma crença filosófica apresentada como se fosse um resultado científico. E uma crença profundamente empobrecedora. Pois elimina da vida humana precisamente as questões mais elevadas. O que é a verdade? O que é a justiça? O que é a beleza? O que é o bem? Qual é o sentido da existência? Por que existe algo em vez do nada? Qual é o destino eterno da alma? Nenhuma dessas perguntas cabe num tubo de ensaio. E, no entanto, são as perguntas mais importantes que um homem pode fazer.
Às vezes encontramos alguém que diz: "Eu só acredito naquilo que posso provar cientificamente." A resposta poderia ser simples: "E cientificamente, o senhor provou essa frase?" Normalmente segue-se um silêncio muito instrutivo.
Porque muitos homens modernos comportam-se como alguém que, possuindo uma lanterna, concluísse que só existe aquilo que a luz da lanterna consegue iluminar.
Ora, o problema não está na realidade. O problema está na lanterna. Quando o homem se recusa a aceitar o mistério, ele não se torna mais racional. Torna-se apenas mais orgulhoso. E o orgulho intelectual produz uma estranha cegueira: convence o homem de que o limite da sua inteligência é o limite do próprio universo.
Mas existe ainda uma segunda doença intelectual dos nossos tempos. Talvez ainda mais difundida. A substituição da formação pela informação. Nunca houve tanta informação. Nunca. Em poucos segundos alguém recebe notícias do outro lado do mundo. Vídeos, opiniões, comentários, imagens, estatísticas, polêmicas e distrações entram continuamente pelos olhos e pelos ouvidos.
Mas será que por isso os homens se tornaram mais sábios? Parece que aconteceu o contrário.
A informação multiplica-se. A sabedoria desaparece. Porque informação não é conhecimento. E conhecimento não é sabedoria. Informação é apenas um dado. Conhecimento é a compreensão das causas. Sabedoria é o juízo reto sobre as realidades mais elevadas.
Hoje muitos sabem de tudo um pouco. Mas não sabem profundamente quase nada. Passam horas deslizando o dedo sobre uma tela. Recebem milhares de estímulos. Mas raramente param para pensar. Raramente refletem. Raramente estudam. Raramente meditam. Raramente contemplam. Vivem cercados de fragmentos. E perdem o sentido do todo.
Conhecem manchetes mas não conhecem a verdade. Conhecem opiniões. Mas não conhecem princípios. Conhecem informações. Mas não conhecem a realidade.
E aqui talvez esteja uma das tragédias mais curiosas do nosso tempo. Um homem sabe imediatamente o que aconteceu há vinte minutos em três continentes diferentes. Mas não sabe explicar os Dez Mandamentos. Conhece a polêmica do dia. Mas não conhece o Credo. Conhece a vida de dezenas de celebridades. Mas não conhece a vida de Nosso Senhor. Tem opiniões sobre tudo. Mas fundamentos para quase nada.
É uma existência intelectual curiosa: cercada de dados e faminta de verdade. Como alguém sentado diante de um banquete de serragem. Há muito volume mas pouco alimento.
A inteligência humana não foi criada para isso. Deus não nos deu uma alma racional para que passássemos a vida inteira consumindo curiosidades sucessivas. Uma ameba reage a estímulos. Um molusco reage a estímulos. Um peixe reage a estímulos. Mas o homem foi criado para compreender. Foi criado para penetrar nas causas. Foi criado para buscar a verdade. Foi criado para elevar-se das aparências até as essências. Foi criado para perguntar não apenas "o que aconteceu?", mas "o que isso significa?". Não apenas "como funciona?", mas "por que existe?". Não apenas "qual é o fato?", mas "qual é a verdade?".
Por isso a festa da Santíssima Trindade nos oferece uma lição admirável. Ela nos recorda que as maiores verdades não são consumidas rapidamente. São contempladas. Ninguém contempla a Trindade em quinze segundos. Ninguém penetra os mistérios de Deus através de frases curtas e distrações contínuas. Ninguém cresce espiritualmente vivendo apenas de novidades.
As grandes verdades exigem silêncio. Exigem recolhimento. Exigem perseverança. Exigem reverência. E aqui chegamos à última e mais importante lição desta festa.
A contemplação.
A palavra contemplação soa estranha aos ouvidos modernos. Vivemos numa civilização da velocidade. Da produtividade. Da agitação. Da distração permanente. Mas os santos compreenderam algo que nós esquecemos.
As verdades mais importantes da vida precisam ser contempladas. O agricultor contempla o campo. O artista contempla sua obra. O sábio contempla a verdade. E o cristão contempla Deus.
Contemplar não é sonhar. É fixar a inteligência e o coração naquilo que é verdadeiro, bom e eterno. É permanecer diante de Deus. É deixar que a verdade divina molde a alma. É permitir que o olhar interior repouse sobre as coisas do Céu.
O homem moderno costuma dizer que não tem tempo para contemplar. Mas encontra tempo para verificar o telefone cinquenta vezes por dia. Não tem quinze minutos para meditar o Evangelho. Mas tem duas horas para percorrer distraidamente conteúdos que esquecerá antes do jantar.
No fundo, não é falta de tempo. É falta de hierarquia. Gastamos com o efêmero o tempo que deveríamos dedicar ao eterno. Quanto mais contemplamos as coisas passageiras, mais nos tornamos passageiros. Quanto mais contemplamos as coisas eternas, mais nos tornamos capazes da eternidade.
Por isso, caríssimos, nesta festa da Santíssima Trindade, proponho-vos uma resolução concreta. Daqui até o próximo Advento, diminuí conscientemente o tempo gasto com informações supérfluas. Menos minutos diante do fluxo interminável de novidades. Mais minutos diante de uma boa leitura. Mais minutos diante do Evangelho. Mais minutos diante de Deus.
Escolhei um livro sólido sobre a fé católica. Depois um segundo. Lede-os devagar. Lápis na mão. Pensando. Meditando. Voltando às páginas difíceis. Formando a inteligência. Fortalecendo a alma. Não procureis ler muito. Procurai compreender profundamente. Talvez, ao final de alguns meses, conheçais menos escândalos da internet. Mas conhecereis melhor a Deus.
E essa será uma excelente troca. Porque foi para isso que Deus nos deu uma inteligência. Não para nos perdermos num oceano de informações. Mas para que, atravessando todas as coisas criadas, chegássemos à Verdade incriada. E esta Verdade tem um nome. É o Deus uno e trino. O Pai, o Filho e o Espírito Santo. Mistério que nunca esgotaremos. Mistério que jamais compreenderemos plenamente nesta vida. Mas mistério que, quanto mais contemplamos, mais ilumina a alma.
E que será a nossa felicidade por toda a eternidade. Amém.